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O que todo médico precisa saber sobre gestão de clínicas no interior

Sumário

Abrir e manter uma clínica no interior é um desafio muito diferente de atuar nas grandes capitais. É preciso compreender o contexto local e adotar um olhar estratégico que esteja em sintonia com a cultura e necessidades da região. Cada decisão de gestão deve ser adaptada ao perfil do público do interior. Quer descobrir quais são os desafios e oportunidades de ter uma clínica ou consultório fora dos grandes centros?

No episódio 32 do podcast Prontuário de Gestão, conversamos com a dermatologista especialista em cirurgia dermatológica e transplante capilar, Dra. Jaqueline Maslonek. A doutora abriu sua clínica em Santa Maria, no Rio Grande do Sul (RS), e é referência na região.

No programa, a Dra. Jaqueline compartilhou sua experiência de consolidação da própria clínica e trouxe aprendizados para quem deseja empreender na saúde fora dos grandes centros.  

Os convênios valem a pena? 

Apesar de odiados por muitos profissionais, os convênios médicos podem ser um recurso útil no início da carreira. A Dra. Jaqueline destaca que, especialmente no começo da trajetória, atender por convênio pode ser uma estratégia interessante para ganhar visibilidade.  

No entanto, é fundamental ter um plano estratégico e pensar em como realizar uma transição gradual para o atendimento particular. Uma boa forma de começar é priorizando a saída dos convênios que trazem menos retorno financeiro e, ao mesmo tempo, investir na conversão de pacientes para o consultório particular.

Assim, os convênios deixam de ser uma obrigação desgastante e podem se tornar aliados estratégicos até que o(a) médico(a) esteja consolidado(a) no mercado ou pronto(a) para empreender com o próprio negócio.

O médico como gestor

Ao abrir sua clínica, um ano antes da pandemia, a Dra. Jaqueline percebeu que precisava ir além do que prestar um atendimento excelente, teria que dominar a administração. 

“Quando entra na parte administrativa, acaba dando um susto. O médico costuma fazer uma conta simples por plantão e não precisa pensar em outros gastos. Na clínica é totalmente diferente.” 

Na conversa, a doutora destacou os principais pontos que precisou dar atenção: 

  • Precificação correta: precisa considerar custos, retorno dos procedimentos e até mesmo o PIB/custo de vida da cidade.
  • Controle de estoque: muito importante para dermatologistas, nessa área os insumos são caros e qualquer controle errado pode gerar prejuízo.
  • Indicadores: ferramentas e uma plataforma como a da GestãoDS ajudam a visualizar os dados e ter noção de como está a saúde da clínica. 

Além disso, a dermatologista ressaltou a importância de manter uma reserva financeira, para casos de emergências, evitando recorrer a empréstimos com bancos. A doutora Jaqueline, indica que cursos de gestão financeira e materiais podem ajudar muito a entender o financeiro da clínica. 

“Na medicina existe a ideia da ‘bala de prata’, que por exemplo você vai fazer marketing ou curso high ticket e vai crescer de imediato. Mas a realidade é que não existe bala de prata, o crescimento é degrau por degrau.”  

Outra grande responsabilidade do(a) médico(a) empreendedor(a) é a gestão de pessoas. A Dra. Jaqueline destaca que faz cursos e mentorias que ajudam a desenvolver habilidades de liderança, dar feedbacks construtivos, orientar a equipe e motivar em torno dos mesmos objetivos. Para a gestora, ter uma equipe de excelência é fundamental para o crescimento da clínica e para ser referência no mercado. 

A jornada do paciente no interior 

Uma das grandes diferenças entre o público de clínicas de grandes capitais e do interior, é a jornada do paciente. Em cidades de pequeno e médio porte, não existe um perfil único ou previsível, a jornada não tem um padrão. A doutora Jaqueline por exemplo, atende desde jovens de 20 anos até idosos de 80, públicos totalmente distintos, que exigem adaptação no atendimento. 

No interior, a consulta muitas vezes é também um momento social, onde o paciente quer conversar, falar sobre agricultura, família ou viagens. Isso contrasta com grandes centros, como São Paulo, onde o paciente normalmente busca agilidade e objetividade.

“Quando vai montar uma clínica o principal é fazer um estudo do local, pesquisar o que o paciente está esperando do médico(a) é determinante. É preciso saber o que te aproxima do paciente e o que te distancia.”  

Por isso, é tão importante prezar por ter uma equipe bem estruturada e oferecer um atendimento de excelência em todas as etapas. É necessário entender a cultura das pessoas.  

“Entrar em um consultório bem organizado e com um ambiente adequado é o básico. O diferencial é  como você vai atender o paciente, como ele vai se identificar e se sentir bem.” 

Marketing estratégico no interior e o poder da indicação 

A indicação em cidades pequenas é o melhor canal para aquisição de pacientes. Segundo a doutora Jaqueline, a indicação nasce da confiança, a partir de um bom atendimento que o paciente acaba recomendando de forma espontânea o serviço. Em cidades pequenas, todo mundo se conhece, então o investimento em reputação é necessário. 

“O ‘nome’ em uma cidade de médio e pequeno porte é o que se tem de mais precioso. Pode fazer o marketing que quiser, se o nome não estiver ‘limpo’, não adianta.”

Para a dermatologista, diferente dos grandes centros, o tráfego pago não costuma performar bem nas cidades do interior, quem manda é a indicação e como você se apresenta às pessoas. No início, a Dra. Jaqueline enfrentava dificuldades em transmitir sua identidade. Com ajuda de consultorias, ela entendeu que o marketing precisa ser estratégico e alinhado ao posicionamento da médica.

Hoje, a dermatologista produz conteúdos educativos e explicativos no Instagram, sempre adaptando a linguagem para seu público. Para ela, o marketing em redes sociais deve ter planejamento, organização, storytelling e objetivos bem definidos. Além disso, é possível explorar outros canais de divulgação, como televisão e rádio.

Além do foco em criar conteúdos, também é essencial entender quais são as origens dos pacientes e como eles avaliam o atendimento. Atualmente, a doutora utiliza a Net Promoter Score (NPS), uma métrica que mede a satisfação dos pacientes. 

“A NPS é uma pesquisa que te norteia muito e, às vezes, é um choque de realidade. A minha clínica tem uma nota 9.7 e tentamos manter esse índice alto.”

A pesquisa é aplicada anualmente e, após a análise dos resultados, a doutora alinha com a equipe de marketing para ajustar as estratégias. Afinal, não basta apenas coletar indicadores, é preciso agir sobre eles e buscar melhorias. 

A GestãoDS também disponibiliza a pesquisa de NPS integrada ao sistema, enviando automaticamente por e-mail uma única pergunta que mede a satisfação do paciente. A ferramenta permite monitorar não só as respostas, mas também os comentários das avaliações e a porcentagem de pacientes classificados como promotores, neutros e detratores. 

NPS plataforma da GestãoDS
Tela de configuração da NPS no sistema da GestãoDS

Indicações da Dra. Jaqueline para quem está começando 

  1. Alinhe suas expectativas, abrir uma clínica não significa ter agenda cheia de pacientes de imediato, é uma jornada. 
  2. Pesquise e entenda o perfil da cidade em que você vai atuar, entenda a cultura local. 
  3. Defina e tenha um posicionamento de marketing claro. 
  4. Planeje e organize as finanças e indicadores. 
  5. Trabalhe com constância e paciência, grandes resultados vem da soma de pequenas vitórias diárias. 

O exemplo da da Dra. Jaqueline Maslonek mostra que, com uma boa gestão, planejamento, dedicação e paciência, é possível consolidar uma clínica e ser referência mesmo fora das grandes capitais.  

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Heloísa Helena Canabarro
Assistente de comunicação na GestãoDS. Jornalista graduada em Comunicação Social pela Universidade Franciscana (UFN) em 2024. Registro profissional: MTb 21.561.