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Como criar um ecossistema de indicações para clínicas médicas

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A indicação é o canal mais valioso para consultórios e clínicas médicas. O paciente que chega por recomendação já vem com confiança e tende a converter mais rápido. A maioria das clínicas já recebem indicações, porém ainda dependem de recomendações que acontecem por acaso, sem nenhum sistema por trás e nada previsível. 

No podcast Prontuário de Gestão, o co-fundador da GestãoDS, Felipe Ravanello, conversou com Rodrigo Noll, maior especialista em vendas por indicação do Brasil e CEO da Base Viral, sobre como clínicas podem transformar a indicação em um canal contínuo e rentável de aquisição de pacientes. 

Neste artigo, reunimos os principais aprendizados dessa conversa. Você vai ver como estruturar um programa e um ecossistema de indicações.  

Rodrigo Noll e Felipe Ravanello conversando sobre ecossistema de indicações para clínicas no podcast Prontuário de Gestão da GestãoDS

O que realmente faz um programa de indicação funcionar

Nos últimos anos, o mercado de indicações amadureceu. Por muito tempo, acreditou-se que bastava criar uma recompensa atrativa e o programa de indicação se sustentaria sozinho a longo prazo. Hoje, a realidade é diferente. 

O que realmente determina o sucesso de um programa é a gestão do engajamento ao longo da jornada. Isso significa enviar comunicações para manter o relacionamento com o paciente, motivá-lo e, principalmente, lembrar que ele pode indicar.

“As pessoas que indicam em um programa de indicação não indicam por causa da recompensa.” — Rodrigo Noll 

Para entender melhor, vamos ver como funciona a estrutura de um programa de indicação, seguindo o Método VPI.   

O Método VPI

O Método VPI, que significa Vendas por Indicação,foi criado por Rodrigo Noll para sistematizar e melhorar o processo de indicações dentro das empresas.

O método é dividido em três etapas:

1. Recompensa certa

O primeiro passo para criar um programa é escolher a recompensa. É nesta etapa que a maioria dos gestores erra ao definir o benefício com base apenas no que acham interessante.  

A abordagem correta é ir direto na fonte, entrar em contato e perguntar ao paciente o que ele gostaria de ganhar ao indicar os serviços da clínica. Fazer esta etapa de pesquisa é muito importante, pois aumenta a adesão ao programa, a recompensa precisa fazer sentido para quem vai recebê-la. 

Um ponto técnico importante nessa etapa é calcular o Custo de Aquisição por Cliente (CAC) da clínica. O valor da recompensa deve estar dentro desse resultado para que o programa seja financeiramente sustentável. 

Para calcular o CAC:

Valor total investido em marketing e vendas ÷ pelo número de novos clientes.  

2. Mecânica clara

Depois de definir a recompensa, é preciso criar as regras do programa. A mecânica precisa ser simples para que qualquer paciente entenda sem dificuldade. Um programa com regras complexas desmotivam as pessoas a participarem.  

3. Lançamento e otimização

A terceira etapa é onde muitos programas morrem, a divulgação do programa de indicação é feita apenas quando ele é lançado e depois a comunicação para. 

O programa de indicação precisa ser divulgado de forma contínua, em múltiplos canais, e ter aprimoramentos regulares baseados nos resultados.

Por isso, é tão importante a frequência, escolher momentos estratégicos para estimular novas recomendações e também segmentar a comunicação.  

método VPI

Comunicação segmentada: fale diferente com cada perfil 

Nem todo paciente está no mesmo “estágio” dentro do programa de indicação. Por isso, a comunicação que é enviada precisa ser adaptada para cada perfil.

Por, exemplo: 

  • Paciente que nunca indicou: precisa ser apresentado ao programa e incentivado a dar o primeiro passo. 
  • Paciente que indicou uma vez: precisa ser agradecido e estimulado a repetir o comportamento.
     
  • Paciente que indica com frequência (3x ou mais): precisa ser agradecido, valorizado e ativado continuamente. 

Criar fluxos e mensagens específicas para cada um desses perfis é o que transforma uma comunicação genérica em algo intencional e elegante. 

Leia também:

📌Segmentação de pacientes: como criar grupos dentro da GestãoDS 

Os 3 erros mais comuns ao criar um programa de indicação

Alguns erros se repetem na maioria dos programas que não performam bem, são eles: 

  1. Inventar a recompensa sem perguntar ao paciente: criar uma hipótese do que o paciente quer é um tiro no pé. A etapa de pesquisa não pode ser negligenciada.
     
  2. Mecânica complexa: se o programa tiver muitas regras ou etapas difíceis de entender, o paciente simplesmente desiste de indicar. A simplicidade é um fator de conversão.
     
  3. Não divulgar de forma estratégica e contínua: muitos pacientes teriam interesse em participar do programa, mas nunca ficam sabendo que ele existe. Divulgar uma única vez não é suficiente, é preciso comunicar com regularidade.
     
  4. Limitar a divulgação a apenas um canal: o correto é mapear todos os pontos de contato com o paciente (WhatsApp, e-mail, newsletter, na recepção, ligação, redes sociais ou outros) e usar todos os canais para lembrar sobre as recomendações. 

O que é um ecossistema de indicações

Quando se pensa em um programa de indicação, a maioria das pessoas pensa apenas em um cliente indicar outro cliente. Um ecossistema de indicações leva as recomendações a outro patamar. Além dos pacientes, outros públicos que têm contato com a clínica também podem se tornar fontes de novos pacientes: 

  • Parceiros: outros profissionais da área da saúde como médicos de outras especialidades, fisioterapeutas, nutricionistas, psicólogos ou até uma empresa contábil que tem contato com o seu negócio.  
  • Colaboradores: a equipe de recepção e administração da própria clínica. 

Cada um desses públicos exige um programa de indicação diferente. As regras, os canais de comunicação e as recompensas precisam ser pensados especificamente para cada segmento. O que faz sentido para um paciente não necessariamente faz sentido para um parceiro. 

A estrutura é a mesma para todos – o Método VPI – mas a execução é personalizada. Esse é o ecossistema de indicações. 

Estratégia do Duplo A: Agradecer e Ativar

O Método Duplo A, também criado por Rodrigo Noll, é uma prática simples e poderosa para aumentar as indicações dos pacientes que já recomendaram pelo menos uma vez. 

O ponto de partida é uma pergunta que deve se tornar rotina quando um novo paciente chega na clínica: “Como você nos conheceu?”. Se o paciente responder que foi indicado, o próximo passo é perguntar o nome de quem indicou. 

A partir daí, aplique o Duplo A:  

1º. Agradecer: entre em contato com a pessoa que indicou e agradeça. A mensagem precisa ser personalizada. Isso demonstra que a clínica valoriza e reconhece o esforço de quem a recomendou. 

2º. Ativar: logo após o agradecimento, incentive essa pessoa a continuar indicando.  

Como melhorar um programa já implementado?

Se a clínica já tem um programa de indicação mas ele não está performando como esperado, o primeiro diagnóstico é tentar identificar se os pacientes sabem que o programa existe.  

“90% dos programas que dão errado é porque os pacientes nem sabem que ele existe.” — Rodrigo Noll

Uma ferramenta eficaz para avaliar isso é o cliente oculto. A ideia é simular a experiência de um paciente e verificar se, ao longo do atendimento, o programa de indicação é comunicado de forma constante. O ideal é realizar esse tipo de avaliação a cada dois meses.

Outra estratégia que alimenta o ecossistema de indicações de forma indireta é o “overdelivery”. É uma estratégia de entregar mais valor do que o paciente espera.

Por exemplo:

  • Atenção especial pós-atendimento, com envio de orientações personalizadas; 
  • Envio de materiais depois do atendimento – vídeos curtos, ebooks; 
  • Distribuição de amostras grátis durante o atendimento; 
  • Oferecer retorno ou uma avaliação gratuita; 
  • Kits personalizados para cuidados pós-procedimentos ou cirurgias.  

Pacientes que têm suas expectativas superadas indicam mais. Mas é preciso ter atenção, o overdelivery deve ser planejado para não gerar prejuízo financeiro ou sobrecarga operacional. 

Como converter o paciente que chega por indicação?

O paciente (lead) que chega por recomendação já vem mais “quente”, mas isso não significa que a conversão é automática. Alguns cuidados fazem toda a diferença: 

Durante o atendimento:

  • Responder rápido desde o primeiro contato; 
  • Manter um fluxo contínuo de comunicação;
  • Responder todas as dúvidas com clareza;

Com a equipe:

  • Educar o time sobre como funciona o seu programa de indicação. Workshops e treinamentos internos são eficazes; 
  • Reforçar com frequência a importância de divulgar o canal de indicação durante os atendimentos; 
  • Alinhar expectativas: nem toda recomendação vai converter e isso é normal. 

Um ponto que melhora muito a qualidade dos leads que chegam por indicação é descrever ao paciente quem ele deve indicar. Explique o perfil de paciente que você quer receber. Quanto mais específico for o tipo de pessoa que a clínica atende, mais qualificadas serão as indicações futuras.  

Use a presença digital como aliada

Mesmo que o paciente chegue por indicação, é muito provável que ele pesquise o(a) médico(a) ou clínica no Google ou nas redes sociais antes de agendar. Se não encontrar nada, a confiança que a recomendação gerou pode se perder.  

A boa notícia é que não é preciso se tornar um criador de conteúdo para ter presença digital. Uma postagem por mês já é suficiente para transmitir credibilidade e confirmar a autoridade do profissional para quem está pesquisando. 

Além disso, crie um Google Meu Negócio, é gratuito e permite que seus pacientes avaliem e deixem comentários sobre o atendimento, gerando ainda mais credibilidade e servindo como prova social para novos pacientes que estão pesquisando a clínica.  

Estar presente digitalmente não substitui a indicação, mas potencializa a conversão de quem já chegou por esse canal. 

Indicadores para acompanhar no seu programa 

Para saber se o programa de indicações está funcionando, é preciso ter métricas. Rodrigo Noll aponta três indicadores principais: taxa de adesão, de engajamento e de conversão.  

IndicadorO que medeReferência saudável
Taxa de adesãoPorcentagem da base total de pacientes que participa e indicaEntre 12% e 25%
Taxa de engajamentoMédia de número de pessoas que cada paciente indica por anoEntre 2,5 e 4 indicados
Taxa de conversãoPorcentagem dos leads indicados que se tornam pacientesVaria por clínica 

A taxa de adesão fala sobre o quanto os pacientes conhecem e participam do programa. A de engajamento revela se a comunicação está mantendo as pessoas ativas. Já a taxa de conversão depende de fatores internos de cada clínica, como processo comercial, perfil do público, tipo de serviço.

Para saber se está no caminho certo, avalie os números a partir das referências, mas também faça duas perguntas importantes:

  • A clínica está batendo a meta de novos pacientes? 
  • Os pacientes atuais conhecem o programa de indicação?

Indicação não acontecem por acaso

Para ter um resultado consistente com as indicações é preciso ter um sistema bem estruturado, comunicado com intenção e gerenciado com constância. O ecossistema de indicações amplia esse sistema para além dos pacientes, incluindo parceiros, colaboradores e embaixadores. 

O caminho começa pelo Método VPI: recompensa certa, mecânica clara e lançamento contínuo. A partir daí, o trabalho é aprimorar o programa e manter o engajamento ao longo do tempo. 

Quer se aprofundar no tema? Ouça o episódio completo do Prontuário de Gestão com Rodrigo Noll, disponível no Spotify e no YouTube. 

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Heloísa Helena Canabarro
Assistente de comunicação na GestãoDS. Jornalista graduada em Comunicação Social pela Universidade Franciscana (UFN) em 2024. Registro profissional: MTb 21.561.