No décimo sexto episódio do Prontuário de Gestão, Felipe Ravanello, co-fundador da GestãoDS, conversou com o médico paliativista Gabriel Drumond, da Hygia Saúde, sobre a jornada da saúde do médico que, além de atender pacientes, também é gestor de uma equipe. Ao longo do programa, Gabriel falou sobre a importância do profissional abraçar sua vulnerabilidade e de ser como líder, um incentivador para a promoção da saúde de seus liderados.
De acordo com Gabriel Drumond, os médicos e médicas possuem dificuldade em compreender a sua própria vulnerabilidade. Ele observa que os profissionais entram na faculdade de medicina com o pensamento de que vão curar pessoas, entretanto, Gabriel reflete que é frustrante analisar que não é exatamente assim que as coisas funcionam: Às vezes as doenças vão levar as pessoas.
Com esse pensamento, segundo Drumond, os profissionais levam o medo de não errar para a gestão e, por essa razão, acabam tendo dificuldade para se desenvolver. Nesse sentido, ele salienta a importância do aprimoramento constante de processos na área da saúde, afinal, o evitável e a negligência devem ser combatidos sempre. Porém, isso não pode ser levado para a gestão: No empreendedorismo, o erro inédito é importante para o crescimento do gestor.
“A saúde se perdeu um pouco em abraçar e aceitar a sua vulnerabilidade” – Gabriel Drumond

Conheça seus próprios limites
Outro ponto fundamental para o desenvolvimento do gestor é aceitar seus limites físicos e psicológicos. Durante o bate-papo, o médico Gabriel Drumond frisou que a nossa energia é finita e que não é possível ter alta performance sem boas horas de sono, alimentação saudável e a prática regular de exercícios. No episódio, é destacado que uma boa forma de começar esses rituais é incluí-los na agenda de trabalho. Afinal, uma agenda extensa e cheia de compromissos não é sinônimo de produtividade.
Além de aceitar sua vulnerabilidade e olhar para os seus próprios limites, como os(as) médicos(as) podem auxiliar suas equipes na promoção da saúde? De acordo com Drumond, um dos papéis dos gestores é ser exemplo para seus liderados e isso também inclui o incentivo a hábitos saudáveis. Para se ter uma ideia, segundo um levantamento feito pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), o afastamento do trabalho em razão de transtornos mentais aumentou em 40% no país em 2023. No topo da lista estão o transtorno misto ansioso e a depressão, com mais de 28 mil casos, conforme a matéria da TV Cultura.
A importância de reuniões one on one
Em nosso programa, Felipe Ravanello ressaltou a importância do gestor estar próximo da sua equipe e promover reuniões de one on one (ou 1:1) com regularidade. O cofundador da GestãoDS observa que as 1:1 são essenciais para entender como está o ambiente de trabalho, como o liderado se sente e quais são as suas expectativas com a empresa. Essas reuniões devem ser realizadas em um ambiente que proporcione segurança para o liderado falar e é papel do líder ouvir.
O que é 1:1?
A one on one (1:1) é aquela reunião que você como gestor(a), não pode deixar de fazer e se ainda não faz, precisa começar. De forma geral, as 1:1s são reuniões particulares que o líder promove de forma regular com os seus liderados diretos. Além de dar e receber feedbacks, o principal objetivo dessa reunião é fortalecer o relacionamento e confiança entre o gestor e sua equipe.
Como organizar uma 1:1?
O primeiro passo para promover uma one on one é definir sua periodicidade. As reuniões podem ser semanais, quinzenais ou mensais, considerando o contexto da sua clínica ou consultório. Após determinar a periodicidade das 1:1s, certifique-se de realizar a reunião em um ambiente que proporcione segurança para o seu liderado, para que ele possa falar sobre sua vida pessoal, o que foi bom e o que está sendo ruim no trabalho para o seu desenvolvimento.
Já o segundo passo trata-se de tornar este momento um ritual na sua empresa. Para isso, reserve um dia na sua agenda para realizar a one on one, estipule um tempo e local para a conversa. Se as suas reuniões são mensais, por exemplo, o ideal é estabelecer uma hora para a 1:1.
📌 Lembre-se: Não desmarque uma 1:1 a menos que seja muito necessário e busque, sempre que possível, agendar as reuniões no mesmo dia para que, de fato, torne-se um ritual.
Por fim, o terceiro passo é se preparar para a reunião. Após definir o dia da one on one, horário e marcar nas agendas, sua e do seu colaborador(a), é importante incentivar o liderado a se organizar para o momento, estipulando tópicos que ele gostaria que fosse abordado na conversa. É fundamental que você, como líder, ouça o seu liderado na reunião, afinal, é o momento da voz dele ser ouvida.
A 1:1 na prática
Para conduzir a one on one, é imprescindível que você tenha um roteiro de perguntas e um arquivo para anotar alguns pontos abordados pelo liderado na reunião. Entretanto, lembre-se de que ter um roteiro prévio não significa que você deve conduzir este momento. A função do gestor em uma one on one é ouvir e orientar o colaborador. Segundo James Stanier, o ideal é que o liderado fale 70% na reunião.
Confira a seguir as perguntas indicadas por Felipe Ravanello, co-fundador da GestãoDS, para iniciar uma one on one. De acordo com Ravanello, este é um bom roteiro de questões para “quebrar o gelo” da reunião. Além das perguntas, ele observa que é importante conversar periodicamente com os liderados sobre carreira e como estão os objetivos traçados, no âmbito pessoal e profissional, para o ano.
- Como você está na vida pessoal?
- Como está o seu trabalho?
- O que você mais gosta de trabalhar aqui?
- O que não é divertido sobre trabalhar aqui?
- O que faz você desperdiçar mais tempo durante a semana?
- Tem alguma coisa faltando para você realizar o seu trabalho?
- Gostaria de aprofundar algum conhecimento do trabalho que realizamos hoje?
- O que você mais gosta na cultura da nossa empresa?
- Você sente que está com a carga de trabalho certa? Já se sentiu sobrecarregado?
- Qual situação recente você administraria de maneira diferente?
- Existe uma situação específica que você gostaria de ajudar?
- Você tem dificuldade de trabalhar com alguém hoje? Por quê?
- Tenho algo a melhorar como líder?
Se você já realiza 1:1, também vale perguntar:
- Quais são as três coisas mais importantes que você gostaria de falar hoje em nossa reunião?
Pronto para descobrir como liderança e saúde podem caminhar juntas? Aperte o play no episódio completo abaixo e confira os insights de Gabriel Drumond, especialista em saúde e gestão.








