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Mercado médico nos Estados Unidos e oportunidades para brasileiros 

Sumário

Doutor(a), já desejou morar e exercer a medicina nos Estados Unidos? Para transformar esse desejo em realidade, é fundamental ter estratégia, compreender o cenário atual da saúde no país e, claro, dominar o processo de imigração e validação profissional.

No podcast Prontuário de Gestão, esse tema foi explorado em profundidade com a participação de um especialista. O host, Dr. David Sena, cirurgião plástico e sócio da GestãoDS, conduziu uma conversa esclarecedora com Roberto Spighel, CEO e fundador da Morar EUA

Com 11 anos de experiência, Spighel lidera a Morar EUA que é reconhecida como a maior empresa da América Latina especializada em assessoria de imigração para os Estados Unidos.  

Em um episódio especial gravado diretamente da Flórida, Roberto e Dr. David detalham o panorama do mercado médico nos Estados Unidos, as oportunidades trazidas pelas novas legislações e o processo de internacionalização necessário para que um(a) médico(a) esteja apto a atuar no país. Descubra se esse pode ser o caminho ideal para você!

mercado médico no Estados Unidos

Como a escassez cria oportunidades 

A escassez de médicos nos Estados Unidos é um fator decisivo que vem impulsionando a desburocratização de leis e a criação de mecanismos que facilitam a atuação de profissionais de saúde estrangeiros no país. Roberto Spighel aponta uma disparidade gritante: a população americana é quase 50% maior que a brasileira.  

Os Estados Unidos têm cerca de 340 milhões de habitantes, enquanto o Brasil possui aproximadamente 213 milhões. Porém, quando olhamos para o número de faculdades de medicina, o contraste é evidente: o Brasil conta com cerca de 400 escolas médicas, enquanto os EUA têm apenas entre 170 e 180

Essa combinação resulta em um número insuficiente de médicos formados em solo estadunidense para atender à demanda crescente da população. 

“A população médica não acompanhou o crescimento, portanto, hoje faltam muitos profissionais de saúde. Focando apenas em médicos de todas as especialidades, estamos falando de um déficit de cerca de 80 mil profissionais.” – Roberto Spighel

Roberto Spighel

Culturalmente, algumas profissões são especialmente valorizadas nos Estados Unidos. Médicos, dentistas e advogados, por exemplo, desfrutam de grande reconhecimento e remuneração elevada, um reflexo direto da complexidade e da duração de seus processos de formação.

Quando comparamos a formação médica no Brasil com a dos EUA, a diferença fica evidente, a jornada estadunidense é mais longa e exige etapas adicionais. 

  • O processo de formação no Brasil: Pré-escola, ensino fundamental, ensino médio, faculdade de medicina, residência e especializações (opcional).  
  • O processo de formação nos EUA: Pré-escola, ensino fundamental, ensino médio, “Undergraduate program” (Pré-Medicina, com duração de 4 a 5 anos), faculdade de medicina, residência e especialização (opcional).  

Etapas para imigrar e validar o diploma 

No formato tradicional, para atuar como médico nos Estados Unidos, profissionais estrangeiros precisam validar seu diploma e realizar o United States Medical Licensing Examination (USMLE), exame dividido em três etapas (Steps 1, 2 CK e 3).

O USMLE avalia conhecimentos e habilidades clínicas essenciais para obtenção da licença médica no país. Após a aprovação, ainda é necessário refazer a residência médica em território estadunidense. 

Com a aprovação da nova lei da Flórida (SB 7.016), abriu-se um caminho mais acessível para que médicos formados fora dos EUA possam atuar no país sem passar pela residência novamente.

Nesse modelo, o profissional deve: 

  • 1º: Validar o diploma
  • 2º: Concluir todas as etapas do USMLE
  • 3º: Passar por uma entrevista de onboarding
  • 4º: Atuar sob supervisão de um(a) médico(a) responsável

No entanto, Roberto ressalta que encontrar esse supervisor não é tarefa simples. 

Não é simples encontrar um(a) médico(a) responsável que aceite assinar por você sem te conhecer. Até existe quem faça isso, mas não é fácil. Por isso, é fundamental ter alguém estratégico orientando todo o processo.” – Roberto Spighel

Um investimento pessoal essencial é dedicar-se ao networking e à construção de conexões na área médica, pois o sucesso na imigração não depende apenas do trabalho, mas também de uma rede profissional robusta.  

Para quem deseja ir para os EUA e realmente prosperar, é indispensável investir em preparo, estudo e relacionamentos que abram portas durante toda a jornada. 

Múltiplos caminhos de carreira 

É importante que os(as) médicos(as) saibam que não existe só uma verdade e só um caminho.” -Roberto 

Para profissionais com formação médica, existem diversas possibilidades de carreira nos Estados Unidos além da atuação clínica tradicional.

Muitos médicos(as) encontram oportunidades como empresários, pesquisadores, docentes universitários ou em funções de liderança em saúde. O próprio Dr. David Sena é um exemplo disso, expandindo sua trajetória também como empreendedor.

Roberto orienta que, antes de qualquer decisão, o(a) médico(a) precisa fazer um diagnóstico pessoal e profissional, para avaliar: 

  • Se é qualificado para algum tipo de visto;
  • Se possui condições financeiras para o processo;
  • Se está preparado emocionalmente para a jornada de imigração.

Imigrar para os Estados Unidos não é para qualquer um, mas pode ser para você.” – Roberto 

No fim, o sucesso da internacionalização depende de planejamento estratégico: definir metas, construir um cronograma de ações e investir em conexões profissionais. 

A Inteligência Artificial vai substituir os médicos(as)? 

A discussão sobre a escassez de médicos nos Estados Unidos naturalmente abriu espaço para um questionamento atual: a Inteligência Artificial vai substituir os profissionais de saúde?  

Apesar dos avanços tecnológicos, o fator humano segue indispensável. Spighel reforçou a importância do atendimento humanizado:

“Lógico que a tecnologia está crescendo e evoluindo, mas o ser humano continua precisando de ser humano. De cuidado, de carinho, de atenção. A parte psicológica a IA não resolve.” – Roberto 

O Dr. David Sena trouxe um exemplo marcante, o projeto “Doctor in a Box”, da empresa Forward. A iniciativa criou cabines de autoatendimento chamadas “CarePods”, onde pacientes realizavam exames e recebiam diagnóstico e tratamento direto de uma IA, sem contato humano. 

projeto “Doctor in a Box” da empresa Forward

O investimento de $600 milhões se tornou um fracasso com quase $1 bilhão em prejuízo. Muitas pessoas saíam das cabines chorando após receberem um diagnóstico, desamparadas pela falta de um profissional de saúde para oferecer conforto, empatia e humanizar a notícia.

“O número de profissionais da área da saúde voltados para a parte operacional pode ser que diminua, mas o número de médicos relacionados ao processo de cuidados emocionais, como passar um diagnóstico, um tratamento, esse não vai diminuir, e tende a aumentar mais.” – Dr. David Sena 

Se esse assunto despertou sua curiosidade e você quer se aprofundar ainda mais nas possibilidades, desafios e caminhos da medicina nos Estados Unidos, vale a pena ouvir o episódio completo no Spotify.  

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Felipe Ravanello
Sócio fundador e Diretor de Negócios e Crescimento da GestãoDS, sistema de gestão para clínicas e consultórios médicos com mais de 10 mil usuários ativos em todo o país. É mestre em Administração pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Host do podcast Prontuário de Gestão. Linkedin: https://www.linkedin.com/in/felipe-ravanello/

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