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Estratégias financeiras e de precificação para clínicas médicas

Sumário

O mercado financeiro de clínicas voltou a ser pauta no podcast Prontuário de Gestão. O episódio 31, recebeu Rodrigo Grossi, fundador da Vivah Consultoria e parceiro da GestãoDS, para fazer uma análise detalhada do desempenho financeiro das clínicas médicas no primeiro semestre de 2025. 

Com mais de 20 anos de experiência no setor, o especialista confirmou que o cenário atual não é positivo e enfrenta diversas dificuldades, conforme já era previsto. Em contrapartida, segmentos como estética, dermatologia e cirurgia plástica seguem crescendo, embora a concorrência nesses nichos tenha intensificado. 

 “Tem sido um ano bem desafiador. Não são todas as clínicas que estão conseguindo alcançar uma performance de crescimento. A tendência é que esse cenário permaneça até o final do ano”  — Rodrigo Grossi 

Segundo Grossi, uma das mudanças percebidas nos últimos anos foi a quebra da sazonalidade tradicional. Em anos anteriores, era possível prever em quais meses teriam alta ou baixa demanda de serviços médicos. Desde 2023, esse padrão se dissolveu e o planejamento precisa acompanhar essa nova realidade. 

Estratégias financeiras e de precificação para clínicas médicas

Mudança de comportamento do paciente

O especialista ressaltou que uma das principais modificações notadas foi a mudança de comportamento do paciente. Hoje, os pacientes chegam por diversos canais: presencial, WhatsApp, redes sociais, telefone, tráfego pago, entre outros. O modelo exclusivamente presencial ficou no passado. É preciso ter flexibilidade para se adaptar às diferentes necessidades. 

“Não é mais a empresa que define o canal de vendas. Hoje, os negócios médicos precisam ser omnichannel” — Rodrigo Grossi 

Mais do que atrair novos pacientes, é essencial fidelizar os que já estão na clínica. A jornada do paciente precisa ser cuidadosamente pensada, desde o agendamento até o pós-consulta, o foco deve ser oferecer um atendimento de alta qualidade. 

Outro novo comportamento dos consumidores também impacta diretamente a saúde financeira das clínicas: o parcelamento. Antes, era comum que os pacientes parcelassem em no máximo 3 ou 4 vezes. Hoje, não é raro encontrar pedidos de parcelamento em 10 ou 12 vezes. Grossi alerta que essa ação pode comprometer o fluxo de caixa. 

Tecnologia e Inteligência Artificial (IA) como aliadas do médico gestor 

Ter novos equipamentos tecnológicos na clínica é um diferencial e proporciona diversos benefícios, entre eles o possível aumento de faturamento. No entanto, Grossi ressalta que é necessário ter atenção antes de adquirir uma nova tecnologia. 

“Antes de pensar em grandes investimentos de tecnologia ou expansão, é essencial entender profundamente os números do negócio” — Rodrigo Grossi  

De acordo com Grossi, alguns passos devem ser seguidos, como:

  1. Analisar os números da clínica e se há capital sobrando para o investimento;
  2. Pesquisar se você tem pacientes interessados na tecnologia; 
  3. Calcular o payback, ou seja,  o tempo que um equipamento leva para se pagar. Para isso, divide o custo inicial pelo fluxo de caixa gerado pelo equipamento.  

Pensando em inovação, além de equipamentos tecnológicos, médicos gestores podem utilizar a Inteligência Artificial (IA) como uma assistente em diversas demandas. A IA pode ser usada para:  

  • Automatizar tarefas administrativas e processos;
  • Transcrever atendimentos e economizar tempo do profissional;
  • Gerar insights com base em dados dos pacientes; 
  • Apoiar estratégias operacionais. 

“O ano está sendo desafiador para vender e venda é conexão. Um médico digitando o tempo todo, sem olhar no olho do paciente, perde a conexão. Com a transcrição por IA da GestãoDS, o profissional consegue olhar no olho do paciente e ter todos os dados registrados.” — Rodrigo Grossi

Uma possibilidade é utilizar o tempo economizado com a IA de transcrição para dedicar um momento do dia para olhar para os números da clínica. Além disso, a IA pode ser usada para entender o perfil do público e analisar estratégias para melhorar o cenário financeiro. 

transcrição de consulta GestãoDS


Como fazer uma precificação estratégica

Um alerta importante feito por Grossi é que aumentar o faturamento não garante lucratividade. Muitas clínicas vendem mais, mas não sobram recursos no caixa no fim do mês e o erro pode estar na precificação.

“A precificação é a primeira coisa que precisa ser feita. É preciso entender a margem.” — Rodrigo Grossi

Por isso, fazer um estudo detalhado antes de montar a tabela de preços é indispensável. O especialista orienta começar entendendo os custos fixos e variáveis, negociar taxas de cartão de crédito (idealmente a cada 6 meses) e fazer um planejamento tributário. 

Para precificar corretamente, é preciso olhar para três custos principais além do faturamento: 

  • Custo operacional: calcular a taxa de sala, valor dos insumos e custo do equipamento ou tecnologia utilizada. 
  • Custo da venda: considerar o pior cenário, calcular o valor do parcelamento, mais o imposto.
  • Custo de repasse: considerar tanto se tiver outros profissionais, quanto se for só um(a) médico(a)

Subtraindo esses valores do pagamento do serviço, a margem ideal de faturamento é de pelo menos 20% de lucro. Se a margem ficar abaixo disso, antes de aumentar os preços você pode rever outros valores. 

  1. Faça um planejamento tributário para tentar reduzir os impostos. 
  2. Busque por insumos mais baratos.  
  3. Tente negociar com as operadoras de cartão de crédito. 

A última coisa a se ajustar é o preço do serviço. Depois de entender os números e fazer os cálculos, é o momento de definir a tabela de preços de forma estratégica. É preciso fazer esse estudo de precificação e não apenas cobrar a mesma base de preço que a concorrência. A análise ajuda também no payback, a avaliar se o investimento dará retorno. 

Como adaptar a precificação a convênios 

Convênios costumam ter ticket médio mais baixo, o que exige atenção redobrada na precificação. Grossi orienta fazer uma análise e estudo de precificação específica para cada convênio que o(a) médico(a) atende. Deve avaliar: 

Grossi afirma que a base de qualquer estratégia é entender como o negócio está se comportando, a partir dos números. 

O que fazer para melhorar o financeiro da clínica nos próximos meses

Para os médicos gestores que querem virar a chave ainda neste segundo semestre, Rodrigo Grossi orienta que o primeiro passo é identificar qual a principal dor do negócio no momento.  

A partir disso, crie uma lista e defina quais são as prioridades que precisam ser modificadas ou aprimoradas. Comece tentando resolver os itens de menor ou média complexidade, tendo como foco principal sanar ou amenizar a dor.  

Conforme mencionado, para Grossi, o principal é saber quais são os números da empresa. É ideal também envolver a equipe no processo, criar a cultura de tirar um tempo diariamente ou no mínimo uma vez por semana, para se reunir com a secretária e avaliar os dados. 

“A GestãoDS é um grande banco de dados. Se você alimentar direito o sistema, começa a ter insights e pode fazer análises. Essas informações tem que virar estratégia, e a estratégia virar em ações concretas”.  — Rodrigo Grossi    

tela financeiro da GestãoDS

A realidade do mercado financeiro para clínicas é desafiadora, mas cheia de oportunidades para quem decide agir com estratégia e tem os números na palma da mão. Você não precisa fazer isso sozinho! 

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Heloísa Helena Canabarro
Assistente de comunicação na GestãoDS. Jornalista graduada em Comunicação Social pela Universidade Franciscana (UFN) em 2024. Registro profissional: MTb 21.561.