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Como reter e atrair os pacientes certos  

Sumário

Muitos médicos e médicas olham para uma agenda vazia ou para um faturamento abaixo do esperado e pensam imediatamente: “preciso de mais pacientes”. O que poucos percebem é que a receita que está na base já existente pode ser maior do que a receita gerada por novos pacientes, desde que haja um trabalho estruturado de relacionamento e jornada. 

Isso não quer dizer que a aquisição de novos pacientes não seja importante, ela é fundamental. Mas quando aliada à retenção, as duas frentes se reforçam e tornam o crescimento da clínica muito mais previsível, sem depender exclusivamente de novos pacientes a cada mês.

Neste artigo, reunimos os principais aprendizados de uma conversa com André Siqueira, cofundador da RD Station e autor do best-seller “Máquina de Aquisição de Clientes”. André participou do podcast Prontuário de Gestão, da GestãoDS, onde compartilhou orientações práticas sobre como atrair os pacientes certos, criar um relacionamento contínuo e reter pacientes. 

Assista ou ouça o episódio no Spotify ⬇️ 

Episódio disponível também no Youtube, Apple Podcasts ou na Amazon Music 

Por que a retenção de pacientes ainda é tão pouco trabalhada 

A resposta, na maioria dos casos, está em um ponto simples: a falta de não conhecer os números e indicadores do negócio.   

Quando o(a) médico(a) calcula quanto custa para adquirir um paciente novo, o Custo de Aquisição de Cliente (CAC), e compara com o valor que esse paciente gera fazendo apenas um único atendimento, a conta raramente fecha bem. 

Agora, se esse mesmo paciente volta para um segundo, terceiro ou quinto atendimento, o cenário muda completamente. O valor que o paciente gera ao longo do tempo, o Lifetime Value (LTV), cresce.

Ao colocar essas informações em uma planilha ou sistema de gestão, é possível ter uma visualização a longo prazo do quanto de receita está perdendo por não dar importância à retenção. Se a retenção for trabalhada da maneira correta, a receita gerada pelos pacientes da base já existente pode ser maior que a de novos pacientes.   

Como a retenção alimenta a aquisição de novos pacientes

Vamos a um exemplo prático:

  • Digamos que a sua consulta custa R$ 600.
  • O Custo de Aquisição de Cliente (CAC) é de R$ 200.
  • Sem trabalho de retenção, o paciente faz uma única consulta e o ciclo se encerra. Sua margem de lucro fica em R$400

Agora, se o(a) médico(a) entende quem são seus melhores pacientes e estrutura uma jornada que estimula os pacientes a fazerem, em média, 5 consultas ao longo de 3 anos. 

  • O ticket sai de R$ 600 para R$ 3.000. Podendo chegar a valores mais altos se o paciente fechar tratamentos ou procedimentos.   

Com esse novo valor do ticket, é possível se permitir gastar mais para adquirir novos pacientes, é uma decisão financeiramente saudável e que não gera prejuízo financeiro. 

A retenção abre margem para investir mais na aquisição de pacientes qualificados.  

Como identificar seu paciente ideal para atrair os pacientes certos

Antes de pensar em campanhas, anúncios ou redes sociais, o primeiro passo é olhar para dentro da base: quem são os pacientes que mais voltam? Quem são os que mais investem nos seus serviços? 

Esse mapeamento é o ponto de partida para entender o perfil de paciente ideal da sua clínica. Depois de identificar esses pacientes, faça um exercício mais profundo respondendo a algumas perguntas:

  • Por que esse perfil de paciente escolheu seus serviços?
  • O que faz com que ele volte?
  • Quais características em comum esses pacientes têm? (gênero, faixa etária, classe social, região onde moram)
  • Por qual canal eles chegaram? (Google, indicação, redes sociais, tráfego pago)

A partir dessas respostas, você ganha clareza sobre que perfil de paciente você deve atrair mais e em qual canal investir para aumentar a aquisição.  

💡Exemplo prático: ao analisar a base, você percebe que a maioria dos seus melhores pacientes vêm de bairros próximos à sua clínica e chegaram via busca no Google. Com essa informação, um anúncio no Google Ads, com segmentação por localização, passa a ser muito mais assertivo do que uma campanha ampla. 

Atrair não é só trazer pacientes novos, é trazer o tipo de paciente que volta.  

A importância do relacionamento com o paciente  

Há uma lógica no mundo dos negócios que se aplica perfeitamente a clínicas e consultórios: é muito mais fácil vender para quem já comprou. Isso significa que o paciente que já passou pelo seu consultório, que conhece o seu trabalho e confia em você, está muito mais propenso a voltar do que alguém que nunca te viu.   

Mas para que isso aconteça, é preciso manter o relacionamento ativo e algumas práticas simples fazem essa diferença:  

  • Acompanhamento pós-consulta para saber como o paciente está;
  • Orientações relacionadas ao tratamento realizado;
  • Felicitações em datas importantes;
  • Conteúdos educativos segmentados por especialidade. Por exemplo, um(a) ortopedista pode enviar um e-mail sobre “cuidados essenciais para prevenir lesões”. 

A ideia não é “vender” o tempo todo. Transformar essas ações em presença constante tem dois efeitos importantes: aumenta a retenção e ainda gera indicações espontâneas, já que pacientes que se sentem bem cuidados recomendam o serviço. 

Veja também:

👉 Como criar um ecossistema de indicações para clínicas médicas 

Quando começar a trabalhar a retenção na jornada do paciente

Cada especialidade tem uma frequência natural de retorno, e entender essa frequência é essencial para definir o ritmo das ações de retenção.  

Por exemplo: uma consulta de check up com um cardiologista para um paciente sem nenhum problema cardíaco pode ter recorrência anual. Já uma especialidade como dermatologia estética, pode receber o mesmo paciente 3 a 4 vezes no ano. 

O ponto de partida é: entenda qual é o comportamento padrão do paciente dentro do seu nicho

Independente da especialidade ou da frequência, a lógica de trabalhar o relacionamento vale para todas: 

Não precisa oferecer um produto ou um serviço quando não faz sentido. Mas é preciso criar mecanismos para ser lembrado.” — André Siqueira 

A máquina de aquisição de pacientes 

A aquisição de pacientes não deve ser um evento ou ação isolada, é um processo contínuo. Para que ele funcione bem, é preciso pensar em todas as etapas da jornada e não apenas no momento de atração. 

Cinco funções primordiais, que funcionam como uma engrenagem para aquisição de pacientes:  

1. Atrair

Tornar-se conhecido pelo seu paciente ideal. Aqui entram canais como produção de conteúdo, anúncios, tráfego pago, programa de indicação, presença em redes sociais e busca orgânica. 

2. Converter

Criar vínculo com as pessoas que chegaram até você. É o momento de entrar em contato, responder dúvidas e dar o primeiro passo para transformar um interessado em paciente agendado.

3. Relacionar

Manter-se presente na vida do paciente ao longo do tempo, enviar mensagens e construir autoridade para ser lembrado. 

4. Vender

Apresentar a proposta certa, o tratamento adequado ou o próximo passo da jornada de cuidado.

5. Analisar

Olhar para todas as etapas anteriores e identificar oportunidades de melhoria: 

  • Quais canais trazem os melhores pacientes? 
  • Qual tipo de comunicação gera mais engajamento? 
  • Com qual frequência? 
  • Qual abordagem converte melhor?

A análise é o que faz a engrenagem rodar cada vez melhor. É um processo de otimização contínua. 

Indicadores essenciais para medir a retenção e aquisição de pacientes

Para que tudo isso funcione na prática, é preciso medir. Esses são os indicadores básicos que André Siqueira indica todo(a) médico(a) a acompanhar: 

✅Quantas pessoas você atraiu 

✅Quantos converteram em contato 

✅Quantos viraram pacientes – agendaram atendimento 

✅Retenção – quantos pacientes voltam de forma recorrente 

✅Qual custo de aquisição de um novo paciente (CAC) 

✅Qual a sua receita e ticket médio   

Comece agora a trabalhar atração e retenção 

Atrair pacientes e retê-los não são estratégias separadas, são duas partes de um mesmo processo. Quando uma alimenta a outra, o crescimento da clínica deixa de depender exclusivamente de novos pacientes a cada mês e passa a contar com uma base sólida que gera receita recorrente. 

O caminho começa por conhecer profundamente quem é o seu paciente ideal e estruturar uma jornada que faça com que ele queira voltar. O resto vem com processo, consistência e análise dos resultados.  

Para se aprofundar no tema, ouça o episódio completo “Como reter e atrair os pacientes certos”, com André Siqueira, do podcast Prontuário de Gestão.   

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Heloísa Helena Canabarro
Assistente de comunicação na GestãoDS. Jornalista graduada em Comunicação Social pela Universidade Franciscana (UFN) em 2024. Registro profissional: MTb 21.561.