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Inteligência artificial para médicos(as): como usar com segurança

Sumário

A inteligência artificial (IA) já se tornou parte da rotina clínica de muitos médicos(as). Hoje, ela já transcreve atendimentos, organiza prontuários, apoia diagnósticos e ajuda em diversas tarefas repetitivas.

Por mais que tenha se popularizado nos últimos anos, a inteligência artificial começou na década de 1950. A tecnologia evoluiu para a IA generativa, que não apenas toma decisões pautadas em dados já existentes, mas gera textos, vídeos e áudios novos a partir de comandos.  

Para entender como médicos(as) podem aproveitar essa tecnologia da melhor forma, o podcast Prontuário de Gestão, da GestãoDS, recebeu o especialista Daniel Abib, Arquiteto de Soluções da AWS (Amazon Web Services) e especialista em GenIA.

Neste artigo, reunimos os principais aprendizados da conversa: como usar IA no dia a dia da clínica, como evitar alucinações e proteger os dados dos seus pacientes.  

Leia o artigo resumido com os principais insights e, se quiser aprofundar conhecimentos, ouça o episódio completo no Spotify ⬇️

O que é Inteligência artificial e agentes de IA?

A IA é um campo da computação que ensina máquinas a executarem tarefas que, tradicionalmente, exigem inteligência humana.

Há diferentes subtipos de inteligência artificial: 

  • Machine Learning: o modelo recebe um grande conjunto de dados e aprende a identificar padrões sozinho.
  • Deep Learning: utiliza redes neurais artificiais que simulam o funcionamento do cérebro humano. 
  • IA Generativa: não apenas analisa, mas cria novos conteúdos originais, como textos, imagens, vídeos, áudios, a partir do contexto e comando fornecido por um humano.  

A IA generativa abriu espaço para ferramentas como ChatGPT, Gemini e co-pilots clínicos. Mas há outro conceito ainda mais avançado que também pode ser utilizado por médicos(as): os agentes de IA. 

Diferente da IA generativa, que apenas responde aos comandos, os agentes de IA têm autonomia para tomar decisões e usar diferentes ferramentas. Eles possuem uma forma própria de “pensar”, não se limitam a responder perguntas e, principalmente, aprendem com o tempo. A principal diferença é que um agente não precisa receber um comando, ele entende o objetivo e executa as ações necessárias. 

Na área da saúde, os agentes de IA já estão sendo utilizados para:

  • Atendimento ao paciente e marcação automática de atendimentos;
  • Gerenciamento de agendas e confirmação de retornos; 
  • Análise e interpretação de dados clínicos; 
  • Automação de processos administrativos; 
  • Apoio à decisão clínica; 
  • Triagem inicial de sintomas e classificação de risco. 

Como evitar alucinações e erros ao utilizar IA?

Tanto a IA generativa quanto os agentes de IA podem apresentar informações imprecisas, inventadas ou desconectadas da realidade. Em outras palavras, eles “alucinam” na resposta.

Isso acontece por alguns motivos:  

  • Limitação no treinamento: a empresa criadora do modelo usa dados insuficientes, desatualizados ou confusos para treiná-la; 
  • Falta de contexto ou prompt preciso: o usuário envia uma pergunta solta sem informações suficientes para uma resposta precisa; 
  • Pedidos com duplo sentido: se a sua instrução pode ser entendida de duas formas, a IA escolhe uma delas. 

Uma das formas mais eficazes de reduzir esses erros é limitar a atuação da IA a um tipo específico de trabalho, como se fosse uma especialidade médica. Em vez de criar um único agente para comandar todos os processos da clínica, o ideal é construir agentes especialistas, por exemplo: um apenas para agendamentos e outro para análise de prontuário.

“Quanto mais especializado for seu agente, ele entende com mais clareza o que é certo ou errado fazer.” — Daniel Abib  

Outra prática essencial é fornecer contexto completo no prompt. Quanto mais completo o prompt, mais assertiva e personalizada será a resposta. Nunca envie apenas uma pergunta solta.

Explique:   

  • Quem você é (especialidade, perfil de paciente que atende);
  • Qual é o objetivo da tarefa; 
  • O que você não quer como resultado (instruções negativas); 
  • O formato esperado da resposta (texto, lista, tabela); 
  • Exemplos de documentos prontos que sirvam como referência de estilo. 

Daniel Abib e Felipe Ravanello na gravação do episódio sobre Inteligência artificial para médicos

Como a inteligência artificial já está ajudando médicos(as):  

A IA tem se mostrado uma grande aliada para reduzir as horas excessivas e tarefas repetitivas que profissionais de saúde realizam diariamente. Mas vai muito além disso, veja as principais aplicações que já estão em uso: 

  • Transcrição automática de atendimentos: a IA escuta, transcreve e estrutura o conteúdo no prontuário; 
  • Organização e resumo do histórico clínico do paciente; 
  • Precisão de diagnóstico por imagem: em análises radiológicas focadas em identificação de tumores, a assertividade da IA tem chegado à faixa de 98%, desempenho superior aos 95% do diagnóstico humano.  
  • Pesquisa genética: a IA generativa válida bilhões de variações genéticas em segundos, identifica pacientes elegíveis para estudos médicos; 
  • Agentes de IA para atendimento e agendamento; 
  • Preenchimento de documentos e formulários médicos; 
  • Sugestão de diagnóstico e CID. 

Segurança da inteligência artificial na medicina: LGPD, nuvem e dados sensíveis

A segurança é um ponto crucial de atenção principalmente para médicos(as) que lidam com dados sensíveis. Ao utilizar soluções públicas e gratuitas de inteligência artificial, sem assinar um plano, é possível que os dados do usuário sejam coletados para treinar o próprio modelo da empresa, comprometendo a confidencialidade do paciente e expondo a clínica a riscos legais sob a LGPD.  

A segurança real se atinge utilizando planos de assinaturas e plataformas certificadas de provedores confiáveis. É importante que a empresa da IA escolhida  possua processos rigorosos de criptografia e compatibilidade com normas hospitalares internacionais, como o HIPAA e o ISO. 

E mesmo nas plataformas mais seguras, a IA não é capaz de garantir 100% de assertividade. 

Como médicos(as) podem utilizar melhor IA no dia a dia

O especialista Daniel Abib compartilhou algumas práticas que separam quem extrai pouco da IA de quem realmente acelera a rotina com a tecnologia:   

  • Prompt: uma solicitação curta não trará bons resultados. Ofereça um contexto e envie exemplos de documentos que contenham o estilo que você espera, para que a IA entenda as particularidades da sua prática; 
  • Trabalhe com instruções negativas: informar à IA exatamente o que ela não deve fazer ajuda na delimitação da resposta; 
  • Escrita do prompt: inclua pontuação clássica e até emojis para sinalizar emoções e tom adequadamente; 
  • Invista em uma tecnologia: obtenha uma licença de IA, evite usar soluções gratuitas, principalmente se for registrar algum dado sensível;
  • Dispense as cortesias: dar “bom dia” ou pedir “por favor” não gera retornos melhores.

Leia também:

👉 Como médicos podem fazer prompts para Inteligência Artificial (IA)

A inteligência artificial generativa é uma forte aliada dos médicos(as) 

A inteligência artificial não foi criada para substituir a relação entre profissional e paciente e nunca vai. A tecnologia chegou para devolver tempo, reduzir burocracia e ampliar a precisão em tarefas repetitivas.  

O melhor caminho para o(a) médico(a) é escolher plataformas seguras e evoluir continuamente: testar, ajustar e integrar a IA aos processos da clínica de forma estratégica. 

Quer se aprofundar no tema? Ouça o episódio completo do Prontuário de Gestão com Daniel Abib, disponível no Spotify.

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Heloísa Helena Canabarro
Assistente de comunicação na GestãoDS. Jornalista graduada em Comunicação Social pela Universidade Franciscana (UFN) em 2024. Registro profissional: MTb 21.561.