Avaliação pré-operatória: entenda a importância para clínica e o paciente

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Sumário

Todos os pacientes que serão submetidos a procedimentos cirúrgicos precisam passar por uma avaliação pré-operatória, normalmente acompanhada de exames subsidiários. Esse termo é usado quando os pacientes são assintomáticos e não costumam apresentar alterações nos exames rotineiros.

Por essa razão, a solicitação de testes do paciente considera características dele e do procedimento cirúrgico a ser realizado. Isso diminui os custos e eleva a praticidade, embora exames complementares ainda possam ser solicitados, se necessário.

Então, quer entender mais sobre o funcionamento da avaliação pré-operatória, exames subsidiários e outras informações relacionadas? Continue a leitura e fique por dentro!

O que é a avaliação pré-operatória?

Como o próprio nome sugere, trata-se de uma análise clínica das condições de saúde atuais, histórico e particularidades do paciente antes da cirurgia. Assim, é possível mensurar quais tipos de complicação ele pode ter durante ou após a operação, ajudando os médicos a se prevenirem.

Fazer isso pode elevar a qualidade do procedimento e reduzir custos da clínica hospitalar. Afinal, os cirurgiões conseguem operar o paciente mais estrategicamente, por entenderem previamente quais problemas podem ocorrer.

Para encontrar essas respostas, a avaliação pré-operatória se baseia em variações clínicas e em exames subsidiários, quando solicitados pelos médicos. Diante dos resultados obtidos, os médicos devem receber instruções de manejo pré, intra e pós-operatórias dos pacientes.

Por exemplo, pacientes internados em estado grave com covid-19 podem receber estratégias protetoras de ventilação para diminuir a insuficiência respiratória. Isso porque tanto a intubação quanto a ventilação mecânica espontânea podem agravar o quadro.

Então, como estratégia para ajudar o paciente, é possível identificar o melhor ajuste do gradiente de pressão efetuado pelo ventilador mecânico, evitando danos no pulmão. Essa solução só foi desenvolvida devido a avaliações pré-operatórias, que identificaram complicações e desenvolveram uma solução.

Quais são os objetivos da avaliação pré-operatória?

Esse protocolo visa orientar adequadamente os cirurgiões na realização de procedimentos cirúrgicos. Assim, cada cirurgia é efetuada de forma individualizada, conforme as particularidades do paciente e do procedimento em questão.

Consequentemente, os recursos disponíveis são otimizados, reduzindo custos com complicações, por exemplo, para a clínica. E ainda, ocorre uma melhora assistencial a curto, médio e longo prazo. Isso também diminui o índice de mortalidade em decorrência de complicações e de morbilidade, referente a presença de doenças. Outras finalidades da avaliação pré-operatória envolvem:

  • padronizar a avaliação pré-operatória na Rede de Atenção Hospitalar (RAS);
  • diminuir tempo de permanência e custos hospitalares com pacientes eletivos;
  • evitar sobrecarga e custo com consultas e exames em pacientes que não se beneficiem dos mesmos;
  • etc

Como funciona a anamnese na avaliação pré-operatória?

Anamnese refere-se ao diálogo desenvolvido entre o médico e o paciente para ajudar no diagnóstico de doenças. Para isso, o profissional deve ajudá-lo a recordar eventos que possam ter relação com a patologia encontrada. Assim, todas as informações obtidas dessa interação com o paciente precisam ser registradas.

A anamnese é parte fundamental da avaliação pré-operatória. Afinal, os dados fornecidos na conversa com o paciente podem explicar o aumento do risco de complicações pós-operatórias. Entretanto, o enfermo, por ser leigo no assunto, pode ignorar alguns sintomas e acontecimentos, sem perceber relação deles com um problema de saúde.

Esse é mais um motivo para que todas as condições do paciente sejam questionadas ativamente durante a anamnese. Isso inclui: 

  • antecedentes cirúrgicos; 
  • hábitos pessoais e profissionais;
  • intolerância a prática de exercícios físicos; 
  • uso de medicamentos;
  • diagnósticos prévios; 
  • transfusões sanguíneas prévias, seja para doação ou outra finalidade;
  • alergias medicamentosas;
  • efeitos adversos após o uso de anestésico;
  • etc.

Quais são os exames subsidiários da avaliação pré-operatória?

Existe uma tabela de exames mínimos a serem solicitados para um paciente, principalmente conforme as características dele e os riscos de um procedimento cirúrgico específico. É consenso entre os médicos focar apenas nessa solicitação, por ser uma alternativa de baixo custo e fácil realização.

Todavia, isso não significa que exames mais completos não sejam solicitados, principalmente após a avaliação pré-operatória, que pode desconfiar de algo. 

Exames subsidiários mais comuns

Alguns dos exames subsidiários mais comuns, segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia, são:

  • eletrocardiograma – caso o paciente tenha mais de 40 anos, obesidade, histórico de anormalidade na avaliação física, diabete, seja submetido a operações intracavitárias, transplantes de órgãos sólidos, cirurgias ortopédicas de grande porte e vasculares arteriais;
  • raio-x do tórax – caso o paciente tenha mais de 40 anos, histórico e sintoma de doenças respiratórias e/ou o procedimento sejam intervenções de médio e grande porte prévias, como cirurgias intratorácicas e intrabdominais;
  • hemograma – para pacientes acima de 40 anos, suspeita de anemia ou presença de doenças crônicas associadas à anemia, História de doenças (como hematológicas ou hepáticas), intervenções de médio e grande porte, com previsão de sangramento e necessidade de transfusão;
  • testes de coagulação – pacientes em uso de anticoagulação com varfarina, pacientes com
  • insuficiência hepática, portadores de distúrbios de coagulação (história
  • de sangramento), Intervenções de médio e grande porte;
  • creatinina sérica – portadores de nefropatia, diabetes melito, hipertensão, arterial sistêmica, insuficiência hepática ou insuficiência cardíaca, se não tiver um resultado deste exame nos últimos 12 meses, intervenções de médio e grande porte, todos os pacientes com mais de 40.

Exames subsidiários conforme o grau de risco e porte da cirurgia

Para pacientes abaixo de 40 anos:

  • cirurgia de baixo risco – não solicitar exames;
  • cirurgia de risco intermediário – ECG, RX de tórax, hemograma, glicemia, coagulograma, creatinina;
  • cirurgia de alto risco – ECG, RX de tórax, hemograma, glicemia, HbA1c coagulograma, creatinina e considerar ecocardiograma.

Para pacientes acima de 40 anos:

  • cirurgia de baixo risco – RX de tórax, ECG, hemograma, glicemia, coagulograma e creatinina.
  • cirurgia de risco intermediário – ECG, RX de tórax, hemograma, glicemia, coagulograma, creatinina;
  • cirurgia de alto risco – ECG, RX de tórax, hemograma, glicemia, HbA1c coagulograma, creatinina e considerar ecocardiograma.

Então, entendeu como funciona, principais objetivos da avaliação pré-operatória e de que forma os exames subsidiários são aliados? Ficar por dentro dessas informações é essencial para os médicos elevarem a segurança do paciente cirúrgico, reduzem taxas de morbidade e mortalidade e muito mais.

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Felipe Ravanello
Sócio fundador e Diretor de Negócios e Crescimento da GestãoDS, sistema de gestão para clínicas e consultórios médicos com mais de 10 mil usuários ativos em todo o país. É mestre em Administração pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Host do podcast Prontuário de Gestão.